Sou eu, asim...



Gostava de poder ser apenas uma e de uma única forma. Queria provar o sabor dos que são sempre iguais, sem mudanças bruscas ou pensadas. Gostava de entender a linguagem dos que assentam no que não tem tradução, mas que ainda assim é perceptível à maioria. Gostava de ser menos diferente...

Sou demasiado para os que querem pouco. Demasiadas questões, razões, sentimentos e emoções. Sou duma medida desmedida para os que não perdem tempo a aceitar o que lhes chega e muita uva para as parras das quais não cuidam. Sou a lembrança do que gosstariam de esquecer e acabo sempre por lhes mostrar o que desejariam nunca saber.

Gostava, por um dia que fosse, de me misturar na multidão, sendo apenas mais uma, sem as tarefas que nunca receio começar e sem os começos que sei como terminar.

Sou duma massa que algo ou alguém misturou, talvez para atentar os menos atentos e incapaz de os ensinar a ver para além do olhar. Sou o resultado de muito trabalho interior e interiorizo sempre o que me dão, o que me ensinam a não aceitar e o que me oferecem tal como presentes envenenados. Sou iluminada pela minha luz natural e jamais reflito a escuridão dos que deambulam por aqui. Sou assim hoje, para quem aguenta, mas com a promesa de muito mais, já amanhã.

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