Tua, mas em silêncio. Tua em sonhos que vi repetidos noite após noite. Tua sem nunca o ter consguido ser...
As dores que me infligi por continuar a desejar alguma vez ser desejada por ti, não apenas pela pele e carne, mas com o coração e para sempre na alma. As mágoas que fiz crescer enquanto crescia na vontade de me deixar ir, sem retorno, sozinha, mas finalmente só. As mentiras que me fui contando enquanto fugia das verdades que estiveram sempre entre nós. As lágrimas que derramei quando deveria estar a sorrir, rindo de quem tivesse duvidado de mim. As horas que transformei em dias enquanto esperei, desesperadamente, que a espera terminasse e me escolhesses.
Tua, mas sabendo, cedo demais, que jamais o seria.Tua, mas quebrada e nunca mais a mesma.Tua sem conseguir regressar a quem fui antes de ti e parece que jamais existi sem que existíssemos juntos. Tua, mas com o sabor contrário, nunca doce e nunca teu. Tua sem ter conseguido saber quem eras e o que poderias alguma vez querer de mim.
Os lugares que vi sem nunca os ter verdadeiramente visto. A gargalhadas ocas enquanto me tentava convencer de que sabia como continuar sem ti. Os outros que passaram a ser apenas isso, outros, sem ecos que valessem a pena receber. Os tempos que se arrastaram sem pressa, sem escolhas que me definissem e sem que alguma vez chegasse a saber quem mais escolher. Os pedidos que deixei de ouvir, enquanto alguns tentavam, poucos, mas seguros, porque não eram as bocas que desejava beijar.
Tua, mas já sem mais palavras que tenha que repetir. Tua, mas com tão pouco de mim, que já nem me reconheço. Tua, mas sabendo que jamais o conseguirei ser.

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